Bruno, muitos dos seus seguidores tem me cobrado sobre você. Gostam de te acompanhar por aqui, assistir suas façanhas, suas sapequices, seus galos, arranhões, esfolados, unhas perdidas em algumas portas, pacote de bolachas de maizena espalhados pela casa toda, sucos e água pelo chão, dividir os lanchinhos com o gato Félix, enfim, sei que isso tudo é muito bom para quem está longe de você e é uma maneira muito divertida e alegre de saber tudo de você. Mas as vezes acontecem coisas que não planejamos ou ao menos não queremos que aconteça !
Voltando ao passado, talvez não tenho como uma referência mas sim como algo que me fortaleça neste momento dífícil. Quando pequeninho, assim como o Bruninho hoje, não tenho a nítida idéia de como foi, ou talvez nunca tenham me deixado ter noção da tamanha necessidade que se passava naquela época, meu pai estava desempregado, minha mãe graças a Deus trabalhava e conseguia contornar parte das dificuldades enquanto meu pai gastava pares de sapatos percorrendo de empresa em empresa a procura de uma nova oportunidade. Eram momentos de muita dificuldade, de restrições e contenções, enquanto isso meus amados avós ajudavam a me criar e cuidar, enquanto meus pais trabalhavam e procuravam empregos. Não acredito muito na sina desta história, mas ela se repete depois de 34 anos. Pois é, agora quem está desempregado sou eu, já se passam 2 meses e 20 dias, a procura insessante continua, a cada dia que deito e durmo penso em acordar no dia seguinte e o telefone tocar, mas ele não tem tocado. Imaginem o que passa na cabeça de um pai neste momento, agora eu sei muito bem o que meu pai passou, os sacrifícios, a relação entre eles, a cada porta que batia e não se abria, as humilhações que passou, as cobranças, os comentários, tudo isso eu posso imaginar e sentir neste momento, meu pai é meu herói e é assim que quero que meu filho sinta de mim.
A distância do blog não foi uma escolha, mas sim uma consequência de tudo que tenho enfrentado, sei que ele não tem culpa alguma, muito pelo contrário, a cada dia que eu acordo e o vejo ali, brincando ou dormindo ingenuamente, me recarrego de forças para ir a luta, buscar novamente um lugar no mercado, mas sinceramente está muito díficil, sem retorno, mas assim como meus pais, hoje tenho a ajuda de muitos, dos avós, dos amigos, dos dindos, dos meus dindos, para que assim como eu, ao Bruno nunca falte nada, é justamente o que quero neste momento, que a ele nunca falte nada, eu e a Jana nos viramos na medida do possível, mas agradecerei eternamente a todos que nos ajudam neste momento delicado.
Agora o que cabe a mim é a felicidade de meu filho, meu grande orgulho, minha grande conquista.
Daqui para frente vou ter de retroceder algumas informações dele para ter atualizadas as suas façanhas e suas histórias de crescimento, assim como deixa-lós a par de todas as informações pertinentes a este garotinho que está muito tinhoso.
Muitos, talvez se perguntam neste momento o porque estou deixando este relato, talvez a criação que tive faça com que estas pedras pelo caminho se tornem momentos de fortalecimento e sei que um dia meu filho estará lendo isso e saberá o que passou e saberá o que pensar, refletir sobre as coisas, sobre tudo o que a vida nos proporciona.
" Muitas vezes não só de alegrias se constroí a nossa trajetória, as tristezas também aparecem para que possamos crescer e tirar proveito das situações para que as dificuldades também possam ser vencidas e ultrapassadas".